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  • em música, análise
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  • por Beto Buarque

Nos últimos dias fiquei com uma música na cabeça e ela tornou-se tema de diversas discussões nas rodinhas de amigos. Deparei-me até mesmo em situações constrangedoras por causa dela.

A minha opinião sobre ela é a mesma de muitas outras pessoas, mas muitas destas não admitem facilmente. É como se acreditar na "provável ideologia proposta", a do bom moço, fosse apropriado para demonstrar determinados valores das pessoas perante a sociedade. Mas vamos relativizar. Como eu disse na postagem anterior: "a música também é feita no momento em que se escuta" pois relacionamos às nossas vivências o texto que nos é apresentado.

De antemão, que fique claro que meu intuito é apenas mostrar uma outra forma de ver as coisas, no caso, uma provável forma da mulher contemporânea em geral ver o cara da música do Roberto Carlos.

Vamos lá, então, fazer a construção interpretativa.

A letra

O cara que pensa em você toda hora
Que conta os segundos se você demora
Que está todo o tempo querendo te ver
Porque já não sabe ficar sem você

E no meio da noite te chama
Pra dizer que te ama
Esse cara sou eu


O cara que pega você pelo braço
Esbarra em quem for que interrompa seus passos
Está do seu lado pro que der e vier
O herói esperado por toda mulher

Por você ele encara o perigo
Seu melhor amigo
Esse cara sou eu

Comentário

Nesta 1ª estrofe, percebemos que estamos falando de um sujeito extremamente obsessivo, impaciente, dependente e sem amor próprio.

Talvez ele também seja sonâmbulo. rsrs. Pode também ser um cara inseguro e, claro, inconveniente, atrapalhando o sono da moça. Eu imagino a mulher se virando, ouvindo a declaração e dizendo: Tá, mas me ame amanhã de manhã que hoje eu trabalhei o dia todo.

Um cara bruto, que gosta de arrumar confusão e preponderantemente machista, tira os espaços da outra pessoa e na figura do herói, expressa sua prepotência. É aquele típico cara que se intromete o tempo todo e na maioria das vezes leva a mulher ao constrangimento"

Essa é a parte que eu mais gosto, porque se tudo que eu disse anteriormente estiver errado, vem aquela situação clássica e acho que a maioria concorda: o cara que se doou tanto, será sempre só um amigo. Depois do verso "Seu melhor amigo" acho que deveriam acrescentar: "E não vai passar disso"

A música ainda tem outras partes como também diversas outras questões dispersas em seu texto que poderiam ser levantas, mas já quero passar para a segunda parte desta linha de pensamento.

Escuto muitas mulheres dizendo em tom de lamentação que "esse cara" não existe. Bem, é provável que existam sim alguns exemplares dessa espécie, o que é relativo, afinal, estamos tratando de um ser idealizado. A questão é: Esse tipo de cara é realmente predominante no anseio feminino?

Definitivamente, NÃO. Seja na visão idealizada ou na visão sintética que apresentei.

"A demanda sempre influencia a oferta, ou seja, é a demanda que determina o movimento da oferta." Pera aí, vamos falar de economia agora? Não. Quero utilizar essa frase do livro Microeconomic Theory para fazermos uma analogia simples: Existem poucos homens (ou nenhum) com o perfil mencionado pela música justamente porque não há demanda por este homem (ou "esse cara"). Simples. Nem precisei adentrar no complexo e nebuloso universo feminino para explicar isso de forma coerente. Até porque se eu tentasse, fracassaria.

Eu acho essa discussão tão chata quanto essa música, por isso não quero mais prolongá-la, mas quero deixar o espaço aberto para ouvir também as demais opiniões, principalmente as femininas. Afinal, só vocês podem enriquecer essa humilde apreciação, seja concordando ou discordando.

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