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  • em análise, relativização, teoria
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  • por Beto Buarque

Há um bom tempo eu vi a imagem dessas tirinhas postada no facebook por uma amiga minha. Eu, como muitos outros, acabo me identificando com esse tipo de situação, onde abordamos a questão da reciprocidade das ações e sentimentos.

Como eu sempre digo, cada um poderá criar suas próprias impressões sobre o objeto de apreciação de seu aparato cognitivo, isso é individual. A ênfase que cada pessoa dará a este tipo de situação é algo muito particular. Mas é certo que existe quase que um consenso quando se trata de RECIPROCIDADE, todos querem que suas ações e sentimentos positivos sejam correspondidos com ações e sentimentos positivos, com mesmo grau de intensidade ou até mesmo maior.

"Dizem que sou louco por eu ter um gosto assim, gostar de quem não gosta de mim"

Esse trecho da música "Na Rua, na chuva, na fazenda" exemplifica bem o caso. O estado afetivo irrecíproco é algo tão indesejado que o mesmo se confunde a uma loucura. Mas neste âmbito, todos nós somos um pouco loucos, ou deveríamos ser... ou não. (percebeu o começo da confusão?)

Que eu seja louco por gostar de quem não gosta de mim ou de quem gosta. Loucura já é se dispor a gostar e eu não vejo essa loucura como algo ruim, é apenas algo fora da normalidade. O que falta muitas vezes pra que haja reciprocidade é alguém dar o primeiro passo, ser o louco.

Como eu disse anteriormente, reciprocidade é uma resposta, uma reação. Quase sempre estamos cobrando essa resposta antes mesmo de termos feito algo realmente significativo, embora eu acredite que não se deva cobrá-la em momento algum.

Ainda sobre a imagem, algo que acho interessante nela é exatamente o que não está nela. Não é possível saber ao certo como o personagem reage ao lembrar de seu infortúnio, é um espaço que fica aberto. A reação que a maioria imaginaria seria a descrença. Descrença nas coisas que fez, nas coisas que falou e no sentimento que o motivou. Descrença nas pessoas e indiferença por elas. Ou talvez ele achasse o fato totalmente irrelevante e procurasse algo melhor pra ocupar a mente.

Independente de qual fosse a reação, se eu pudesse dizer algo para ele, seria:

- Acredite, acredite em você e na beleza que seus sentimentos carregam. Valorize isso! Se desprenda das coisas que não dependem de você. Espere menos, mas não deixe de se dar, o que julgamos como pouco, nem sempre é. As pessoas têm diferentes formas de reagir, alguns são exagerados, outros contidos. Às vezes, pode ser apenas falta de hábito. Aprenda que "o sentir e o vivenciar não estão necessariamente vinculados às demonstrações. Podem estar vinculados à presença silenciosa, mas certa". E mesmo quando definitivamente não existir o mínimo necessário que mantenha vivo e forte um sentimento, saiba que ele pode estar morrendo para dar espaço pra algo maior nascer dentro de nós.

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